sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A Filosofia no ENEM

Há alguns anos o ensino de Filosofia voltou a ser obrigatório em todas turmas de Ensino Médio no Brasil. Desde então, a Filosofia vem se tornando mais importante nas provas de seleção aos cursos universitários, sejam provas vestibulares convencionais, seja o ENEM.
Nos últimos três anos, o ENEM tem assumido um papel cada vez mais central no ingresso às universidades públicas devido ao fato de estar a ser adotado por várias instituições de ensino superior como etapa no processo de seleção e, eventualmente, como único vetor de seleção.
Devido à crescente importante da Filosofia e do ENEM para a entrada dos alunos nas universidades públicas, torna-se necessário conhecer o conteúdo de Filosofia exigido no processo.
Até a edição de 2009, a Filosofia entrava no ENEM de modo somente marginal:
  • Em 2005 não houve questão de Filosofia.
  • Em 2006, uma questão sobre a perspectiva de cristãos e de muçulmanos a respeito das Cruzadas; uma questão sobre a visão etnocêntrica das “missões civilizadoras” europeias no Brasil no século XIX.
  • Em 2007, uma questão que relaciona Iluminismo, jusnaturalismo, Independência dos EUA e Revolução Francesa.
  • Em 2008, uma questão na qual os alunos deviam se colocar sob a perspectiva do relativismo cultural; uma questão de semiótica, a respeito de signo classificado como “indício”; uma questão sobre a percepção da Peste Negra no século XIV.
Contudo, a partir de 2009 houve um espaço muito aumentado para a Filosofia no ENEM.
  • Em 2009 houve duas provas do ENEM. A primeira foi cancelada por fraude. Na primeira prova, uma questão sobre a interpretação de duas pinturas (uma, de Debret, retratando D. João VI; outra, de Henrique José da Silva, representando D. Pedro I); uma sobre a interpretação de duas pinturas que representam a Primeira Missa em solo brasileiro; uma questão sobre o acesso às informações por pessoas de diversas culturas; uma sobre a participação coletiva e a autonomia social na política; uma sobre a ação de líderes políticos (Marquês de Pombal e Abraham Lincoln), na qual os alunos devem responder de acordo com uma perspectiva maquiavélica (sem que a questão cite Maquiavel); uma questão sobre a cidadania, o Estado e os indivíduos e as leis brasileiras; uma questão sobre a interpretação do conceito de Idade Média no Iluminismo; e uma questão sobre as diferenças entre a escravidão na Antiguidade greco-romana e a escravidão moderna até o século XIX no Ocidente.
  • Na segunda prova de 2009, uma questão a respeito dos conflitos da primeira metade no século XX (cuja origem é posta na crise do colonialismo e na ascensão do nacionalismo e do totalitarismo); outra questão sobre as características do totalitarismo; uma questão sobre a democracia e a cidadania na tradição política dos EUA; uma questão sobre a moralidade dos EUA de acordo com a perspectiva de Tocqueville; uma questão sobre a cidadania de acordo com a Política de Aristóteles; uma questão relacionando a organização política grega e a organização política das cidades indígenas da Amazônia; e uma questão a respeito da recomendação da Igreja – mais especificamente, da Inquisição – sobre os casamentos no século XVI no Brasil.
  • O ENEM 2010 também foi aplicado e reaplicado, pois alguns milhares de alunos receberam provas com problemas de impressão. A primeira aplicação teve: uma questão sobre a definição de “política” em Paul Valéry; uma questão sobre Maquiavel; uma questão sobre o poder em Foucault; uma sobre Robespierre, burguesia e Revolução Francesa; uma sobre a disseminação de informações pela internet; duas questões sobre a definição de Ética; uma questão sobre a divisão dos poderes no Estado; uma questão sobre o despotismo e a democracia.
  • A reaplicação do ENEM 2010 teve: uma questão sobre a abolição da escravidão no Brasil, em que uma alternativa refere-se ao contratualismo; uma questão sobre o intercâmbio cultural; uma sobre a função no teatro desde a Grécia; uma questão sobre a definição de Ética; uma questão sobre o etnocentrismo europeu diante dos índios na colonização; uma sobre a globalização e a universalização de posições políticas e morais; uma sobre a divisão dos poderes; uma questão sobre a importância da Biblioteca de Alexandria; uma questão sobre o determinismo (com alternativas que são citações de Sartre, Agostinho, Schopenhauer, Foucault e Nietzsche).
  • Em 2011, o ENEM teve: uma questão sobre ética e moral; uma sobre a relação entre os movimentos sociais e a democracia moderna; uma sobre a definição de cidadão e o direito ao voto na Constituição de 1824; uma questão sobre a diferença entre a lei e a realidade social e política; uma sobre a relação entre a liberdade de imprensa e a democracia moderna; uma sobre a proporção de eleitores em relação à população na democracia brasileira; uma sobre a influência da mídia no comportamento das crianças; uma sobre a diferença cultural entre os índios e os europeus no Brasil; outra sobre pluralidade étnica e direitos positivos na democracia brasileira; uma sobre o pensamento medieval; e uma sobre a proporção de seguidores de diversas religiões no Brasil.
De acordo com a tendência apresentada nos dois últimos anos (ou seja, nas cinco últimas provas…), o ENEM pode vir com questões de Filosofia sobre os seguintes temas:
  • Filosofia da Arte
  • Pensamento medieval; conceito de Idade Média
  • Ética
  • Etnocentrismo e relativismo cultural
  • A filosofia política grega, especialmente a partir de Aristóteles
  • Comparação entre a organização social e política grega e outras formas de organização social e política
  • Conceito de democracia
  • Conceito de cidadania
  • Maquiavel
  • Contratualismo
  • Montesquieu e a divisão dos três poderes
  • Raízes filosóficas da Independência Americana e da Revolução Francesa
  • Tocqueville e a tradição política americana
  • Os totalitarismos do século XX
  • Determinismo e liberdade
Como fica evidente, a maioria dos assuntos refere-se à ética e à filosofia política.
Um trabalho voltado à preparação para o ENEM, que tornou-se a mais importante prova para o ingresso no ensino superior no Brasil, deve abordar principalmente os temas que eu indiquei acima.

Gustavo Betoche in: http://oficinadefilosofia.wordpress.com/ visita em 10/08/2012.

As mudanças científicas

... Até aqui duas grandes mudanças na ciência. A primeira delas se refere à passagem do racionalismo e empirismo ao construtivismo, isto é, de um ideal de cientificidade baseado na ideia de que a ciência é uma representação da realidade tal como ela é em si mesma, a um ideal de cientificidade baseado na ideia de que o objeto científico é um modelo construído e não uma representação do real, uma aproximação sobre o modo de funcionamento da realidade, mas não o conhecimento absoluto dela. A segunda mudança refere-se à passagem da ciência antiga – teorética, qualitativa – à ciência moderna – tecnológica, quantitativa. Por que houve tais mudanças no pensamento científico?

Durante certo tempo, julgou-se que a ciência (como a sociedade) evolui e progride. Evolução e progresso são duas ideias muito recentes – datam dos séculos XVIII e XIX -, mas muito aceitas pelas pessoas. Basta ver o lema da bandeira brasileira para perceber como as pessoas acham natural falar em “Ordem e Progresso”.

As noções de evolução e de progresso partem da suposição de que o tempo é uma linha reta contínua e homogênea (como a imagem do rio, que vimos ao estudar a metafísica). O tempo seria uma sucessão contínua de instantes, momentos, fases, períodos, épocas, que iriam se somando uns aos outros, acumulando-se de tal modo que o que acontece depois é o resultado melhorado do que aconteceu antes. Contínuo e cumulativo, o tempo seria um aperfeiçoamento de todos os seres (naturais e humanos).

Evolução e progresso são a crença na superioridade do presente em relação ao passado e do futuro em relação ao presente. Assim, os europeus civilizados seriam superiores aos africanos e aos índios, a física galileana-newtoniana seria superior à aristotélica, a física quântica seria superior à de Galileu e de Newton.

Evoluir significa: tornar-se superior e melhor do que se era antes. Progredir significa: ir num rumo cada vez melhor na direção de uma finalidade superior.

Evolução e progresso também supõem o tempo como uma série linear de momentos ligados por relações de causa e efeito, em que o passado é causa e o presente, efeito, vindo a tornar-se causa do futuro. Vemos essa ideia aparecer quando, por exemplo, os manuais de História apresentam as “influências” que um acontecimento anterior teria tido sobre um outro, posterior.

Evoluir e progredir pressupõem uma concepção de História semelhante à que a biologia apresenta quando fala em germe, semente ou larva. O germe, a semente ou a larva são entes que contêm neles mesmos tudo o que lhes acontecerá, isto é, o futuro já está contido no ponto inicial de um ser, cuja história ou cujo tempo nada mais é do que o desdobrar ou o desenvolver pleno daquilo que ele já era potencialmente.

Essa ideia encontra-se presente, por exemplo, na distinção entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Quando digo que um país é ou está desenvolvido, digo que sei que alcançou a finalidade à qual estava destinado desde que surgiu. Quando digo que um país é ou está subdesenvolvido, estou dizendo que a finalidade – que é a mesma para ele e para o desenvolvido – ainda não foi, mas deverá ser alcançada em algum momento do tempo. Não por acaso, as expressões desenvolvido e subdesenvolvido foram usadas para substituir duas outras, tidas como ofensivas e agressivas: países adiantados e países atrasados, isto é, países evoluídos e não evoluídos, países com progresso e sem progresso.

Em resumo, evolução e progresso pressupõem: continuidade temporal, acumulação causal dos acontecimentos, superioridade do futuro e do presente com relação ao passado, existência de uma finalidade a ser alcançada.

Supunha-se que as mudanças científicas indicavam evolução ou progresso dos conhecimentos humanos.

Desmentindo a evolução e o progresso científicos

A Filosofia das Ciências, estudando as mudanças científicas, impôs um desmentido às ideias de evolução e progresso. Isso não quer dizer que a Filosofia das Ciências viesse a falar em atraso e regressão científica, pois essas duas noções são idênticas às de evolução e progresso, apenas com o sinal trocado (em vez de caminhar causal e continuamente para frente, caminhar-se-ia causal e continuamente para trás). O que a Filosofia das Ciências compreendeu foi que as elaborações científicas e os ideais de cientificidade são diferentes e descontínuos.

Quando, por exemplo, comparamos a geometria clássica ou geometria euclidiana (que opera com o espaço plano) e a geometria contemporânea ou topológica (que opera com o espaço tridimensional), vemos que não se trata de duas etapas ou de duas fases sucessivas da mesma ciência geométrica, e sim de duas geometrias diferentes, com princípios, conceitos, objetos, demonstrações completamente diferentes. Não houve evolução e progresso de uma para outra, pois são duas geometrias diversas e não geometrias sucessivas.

Quando comparamos as físicas de Aristóteles, Galileu-Newton e Einstein, não estamos diante de uma mesma física, que teria evoluído ou progredido, mas diante de três físicas diferentes, baseadas em princípios, conceitos, demonstrações, experimentações e tecnologias completamente diferentes. Em cada uma delas, a ideia de Natureza é diferente; em cada uma delas os métodos empregados são diferentes; em cada uma delas o que se deseja conhecer é diferente.

Quando comparamos a biologia genética de Mendel e a genética formulada pela bioquímica (baseada na descoberta de enzimas, de proteínas do ADN ou código genético), também não encontramos evolução e progresso, mas diferença e descontinuidade. Assim, por exemplo, o modelo explicativo que orientava o trabalho de Mendel era o da relação sexual como um encontro entre duas entidades diferentes – o espermatozóide e o óvulo -, enquanto o modelo que orienta a genética contemporânea é o da cibernética e da teoria da informação.

Quando comparamos a ciência da linguagem do século XIX (que era baseada nos estudos de filologia, isto é, nos estudos da origem e da história das palavras) com a linguística contemporânea (que, como vimos no capítulo dedicado à linguagem, estuda estruturas), vemos duas ciências diferentes. E o mesmo pode ser dito de todas as ciências.

Verificou-se, portanto, uma descontinuidade e uma diferença temporal entre as teorias científicas como consequência não de uma forma mais evoluída, mais progressiva ou melhor de fazer ciência, e sim como resultado de diferentes maneiras de conhecer e construir os objetos científicos, de elaborar os métodos e inventar tecnologias. O filósofo Gaston Bachelard criou a expressão ruptura epistemológica[i] para explicar essa descontinuidade no conhecimento científico.

Rupturas epistemológicas e revoluções científicas

Um cientista ou um grupo de cientistas começam a estudar um fenômeno empregando teorias, métodos e tecnologias disponíveis em seu campo de trabalho. Pouco a pouco, descobrem que os conceitos, os procedimentos, os instrumentos existentes não explicam o que estão observando nem levam aos resultados que estão buscando. Encontram, diz Bachelard, um “obstáculo epistemológico”.

Para superar o obstáculo epistemológico, o cientista ou grupo de cientistas precisam ter a coragem de dizer: Não. Precisam dizer não à teoria existente e aos métodos e tecnologias existentes, realizando a ruptura epistemológica. Esta conduz à elaboração de novas teorias, novos métodos e tecnologias, que afetam todo o campo de conhecimentos existentes.

Uma nova concepção científica emerge, levando tanto a incorporar nela os conhecimentos anteriores, quanto a afastá-los inteiramente. O filósofo da ciência Khun designa esses momentos de ruptura epistemológica e de criação de novas teorias com a expressão revolução científica, como, por exemplo, a revolução copernicana, que substituiu a explicação geocêntrica pela heliocêntrica.

Segundo Khun, um campo científico é criado quando métodos, tecnologias, formas de observação e experimentação, conceitos e demonstrações formam um todo sistemático, uma teoria que permite o conhecimento de inúmeros fenômenos. A teoria se torna um modelo de conhecimento ou um paradigma científico. Em tempos normais, um cientista, diante de um fato ou de um fenômeno ainda não estudado, usa o modelo ou o paradigma científico existente. Uma revolução científica acontece quando o cientista descobre que os paradigmas disponíveis não conseguem explicar um fenômeno ou um fato novo, sendo necessário produzir um outro paradigma, até então inexistente e cuja necessidade não era sentida pelos investigadores.

A ciência, portanto, não caminha numa via linear contínua e progressiva, mas por saltos ou revoluções.

Assim, quando a ideia de próton-elétron-nêutron entra na física, a de vírus entra na biologia, a de enzima entra na química ou a de fonema entra na linguística, os paradigmas existentes são incapazes de alcançar, compreender e explicar esses objetos ou fenômenos, exigindo a criação de novos modelos científicos.

Por que, então, temos a ilusão de progresso e de evolução? Por dois motivos principais:

1. do lado do cientista, porque este sente que sabe mais e melhor do que antes, já que o paradigma anterior não lhe permitia conhecer certos objetos ou fenômenos. Como trabalhava com uma tradição científica e a abandonou, tem o sentimento de que o passado estava errado, era inferior ao presente aberto por seu novo trabalho. Não é ele, mas o filósofo da ciência que percebe a ruptura e a descontinuidade e, portanto, a diferença temporal. Do lado do cientista, o progresso é uma vivência subjetiva;

2. do lado dos não-cientistas, porque vivemos sob a ideologia do progresso e da evolução, do “novo” e do “fantástico”. Além disso, vemos os resultados tecnológicos das ciências: naves espaciais, computadores, satélites, fornos de micro-ondas, telefones celulares, cura de doenças julgadas incuráveis, objetos plásticos descartáveis, e esses resultados tecnológicos são apresentados pelos governos, pelas empresas e pela propaganda como “signos do progresso” e não da diferença temporal. Do lado dos não-cientistas, o progresso é uma crença ideológica.

Há, porém, uma razão mais profunda para nossa crença no progresso. Desde a Antiguidade, conhecer sempre foi considerado o meio mais precioso e eficaz para combater o medo, a superstição e as crendices. Ora, no caso da modernidade, o vínculo entre ciência e aplicação prática dos conhecimentos (tecnologias) fez surgirem objetos que não só facilitaram a vida humana (meios de transporte, de iluminação, de comunicação, de cultivo do solo, etc.), mas aumentaram a esperança de vida (remédios, cirurgias, etc.). Do ponto de vista dos resultados práticos, sentimos que estamos em melhores condições que os antigos e por isso falamos em evolução e progresso.

Do ponto de vista das próprias teorias científicas, porém, a noção de progresso não possui fundamento, como explicamos acima.

Falsificação X revolução

Vimos que a ciência contemporânea é construtivista, julgando que fatos e fenômenos novos podem exigir a elaboração de novos métodos, novas tecnologias e novas teorias.

Alguns filósofos da ciência, entre os quais Karl Popper, afirmaram que a reelaboração científica decorre do fato de ter havido uma mudança no conceito filosófico-científico da verdade. Esta, como já vimos, foi considerada durante muitos séculos como a correspondência exata entre uma ideia ou um conceito e a realidade. Vimos também que, no século passado, foi proposta uma teoria da verdade como coerência interna entre conceitos. Na concepção anterior, o falso acontecia quando uma ideia não correspondia à coisa que deveria representar. Na nova concepção, o falso é a perda da coerência de uma teoria, a existência de contradições entre seus princípios ou entre estes e alguns de seus conceitos.

Popper afirma que as mudanças científicas são uma consequência da concepção da verdade como coerência teórica. E propõe que uma teoria científica seja avaliada pela possibilidade de ser falsa ou falsificada.

Uma teoria científica é boa, diz Popper, quanto mais estiver aberta a fatos novos que possam tornar falsos os princípios e os conceitos em que se baseava. Assim, o valor de uma teoria não se mede por sua verdade, mas pela possibilidade de ser falsa. A falseabilidade seria o critério de avaliação das teorias científicas e garantiria a ideia de progresso científico, pois é a mesma teoria que vai sendo corrigida por fatos novos que a falsificam.

A maioria dos filósofos da ciência, entre os quais Khun, demonstrou o absurdo da posição de Popper. De fato, dizem eles, jamais houve um único caso em que uma teoria pudesse ser falsificada por fatos científicos. Jamais houve um único caso em que um fato novo garantisse a coerência de uma teoria, bastando impor a ela mudanças totais.

Cada vez que fatos provocaram verdadeiras e grandes mudanças teóricas, essas mudanças não foram feitas no sentido de “melhorar” ou “aprimorar” uma teoria existente, mas no sentido de abandoná-la por uma outra. O papel do fato científico não é o de falsear ou falsificar uma teoria, mas de provocar o surgimento de uma nova teoria verdadeira. É o verdadeiro e não o falso que guia o cientista, seja a verdade entendida como correspondência entre ideia e coisa, seja entendida como coerência interna das ideias.
CHAUÍ, Marilena. Iniciação a Filosofia: ensino médio, volume único. São Paulo: Ática, 2010. p. 304-309.