domingo, 1 de março de 2015

O Amor

"O Amor (...) está no meio da sabedoria e da ignorância. Eis com efeito o que se dá. Nenhum deus filosofa ou deseja ser sábio - pois já é -, assim como se alguém mais é sábio, não filosofa. Nem também os ignorantes filosofam ou desejam ser sábio; pois é nisso mesmo que está o difícil da ignorância, no pensar, quem não é um homem distinto e gentil, nem inteligente, que lhe basta assim. Não deseja portanto quem não imagina ser deficiente naquilo que não pensa lhe ser preciso. 

Quais então (...) os que filosofam, se não são nem sábios, nem ignorantes? (...) São os que estão entre esses dois extremos, e um deles seria o Amor. Com efeito, uma das coisas mais belas é a sabedoria, e o Amor é amor pelo belo, de modo que é forçoso o Amor ser filósofo e, sendo filósofo, estar entre o sábio e o ignorante".

PLATÃO. O Banquete. Trad. José Cavalcante de Souza. 5. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991. p. 35-36 (Os pensadores). (Fragmento)

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